Eu tenho refletido muito sobre muitas coisas essas últimas semanas. Na verdade, eu acho que eu reflito sobre tudo desde que descobri o que é refletir.
Eu voltei a ler bastante. Não livros (ainda), mas artigos, newsletters, matérias… não sei se isso é bom ou ruim, mas sinto minha cabeça sendo levemente massageada de novo. Ainda acho que tá bem longe do que eu gostaria que fosse (sim, eu tenho um estado ideal na minha mente e nenhuma terapeuta vai me convencer de que “tudo bem não ser dessa maneira”), mas já tá melhor do que era antes.
Isso faz com que, que surpresa, eu reflita muito mais e sobre tudo. Talvez por isso que tenho estado tão exausto mentalmente nos últimos tempos; minha cabeça, que nunca foi muito quieta, é verdade, não para um segundo de funcionar.
De qualquer maneira, sobre estar consumindo mais textos novamente, a escritora e minha amiga de faculdade Raquel Terezani, por exemplo, escreveu um texto muito interessante sobre “raiva” e tem um trecho, especificamente, com o qual me identifiquei bastante:
“A raiva me é útil, me moveu muitas vezes. Me incitou a fazer muitas coisas das quais me orgulho, desde confrontar pessoas que me magoaram (e assim superar certas situações), até criar ficção. Lembrei agora de quando um estelionatário deu golpe numa amiga minha (casou com ela inclusive e depois desapareceu) e de como o ódio que eu senti dele se tornou um conto sobre vingança (já que não pudemos matá-lo e sumir com o corpo).
A raiva faz parte de mim. Eu gosto dela.“
Eu concordo 200%. Eu tinha uma frase no passado que era “o ódio move o mundo” e eu ainda concordo muito com isso, não de um jeito niilista ou trevoso, mas dum ponto de vista prático. A raiva, de certa forma, nos indigna e nos faz querer agir (ou deveria); ela é a pedra no sapato, a gasolina no fogo.
Mas porque estou falando sobre isso? Bem, porque acho que outro sentimento similar é o desconforto. Aquela sensação de que algo está fora do lugar, seja você ou seja outra coisa. E acho que é seguro dizer que o fato de eu estar refletindo mais que espelho polido, estar lendo mais, observando mais me sinto desconfortável como há muito não me sentia e, honestamente, tenho sentido bastante raiva também.
Resta saber se isso vai me fazer ir pra algum lugar ou vai viver eternamente nesse texto aqui.
Veremos.